Sintratel-RS denuncia precarização e cobra piso nacional em audiência no Senado sobre regulamentação do telemarketing
“Desenvolvimento econômico e dignidade humana não são valores opostos”. Foi com essa afirmação que a presidente do Sintratel-RS, Crislaine Carneiro, marcou sua participação na audiência pública da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, que debateu a regulamentação da profissão de operador de telemarketing e a criação de um piso salarial nacional para a categoria.
Mesmo à distância, por motivo de força maior que a impediu de estar presencialmente em Brasília – como era sua intenção -, Crislane fez uma intervenção firme e política, defendendo que o Congresso Nacional tem diante de si uma decisão histórica para mais de 1,4 milhão de trabalhadores e trabalhadoras no Brasil.
Durante sua fala, a dirigente denunciou o que classificou como prática recorrente de dumping social no setor. Segundo ela, “determinadas empresas estruturam os seus modelos de negócio com base na redução artificial dos custos e por meio sistemático de fragilização dos direitos fundamentais”, criando um ambiente marcado pela precarização e pela vulnerabilidade.
Crislaine também chamou atenção para o perfil social da categoria. “Nós estamos falando de uma categoria em um setor que produz em escala concentrada uma desigualdade estrutural de gênero, raça, classe e sexualidade do país”, afirmou. A maioria dos trabalhadores do telemarketing é composta por mulheres, pessoas negras e integrantes da comunidade LGBTQIA+, grupos que, segundo ela, enfrentam jornadas exaustivas, vigilância excessiva e alto índice de adoecimento, incluindo casos de burnout e sofrimento psíquico.
A audiência foi realizada por iniciativa do senador Paulo Paim, relator do PLS 447/2016, que trata da regulamentação da profissão e da criação de um piso salarial nacional. O projeto, originado de sugestão legislativa da própria categoria, já foi aprovado na Comissão de Direitos Humanos e agora avança no debate dentro do Senado.
Ao encerrar sua participação, a presidente do Sintratel-RS reforçou que a aprovação do projeto representa mais do que um reajuste salarial: trata-se de garantir dignidade frente à precarização histórica do setor e aos impactos crescentes da automação e da inteligência artificial.
Para o Sintratel-RS, o debate no Senado representa um passo importante em uma luta que se arrasta há anos e que envolve o reconhecimento, a valorização e a proteção de uma categoria essencial para o funcionamento de inúmeros serviços no país.