Audiência pública em Porto Alegre debate o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho

 Audiência pública em Porto Alegre debate o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho
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Porto Alegre recebeu, nesta sexta-feira, 15 de maio, uma audiência pública sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho. A atividade reuniu lideranças políticas, representantes sindicais, trabalhadores e movimentos sociais para debater os impactos da atual jornada sobre a saúde física e mental da classe trabalhadora, além da necessidade de valorização das condições de trabalho no país.

Antes da audiência, uma marcha percorreu as ruas do centro da Capital, saindo da Ponte de Pedra até o prédio do Ministério da Fazenda, conhecido como Chocolatão, local onde ocorreu o debate.

O ato reuniu centrais sindicais, federações, sindicatos e lideranças políticas comprometidas com a pauta trabalhista. Entre as entidades presentes estiveram a Federação dos Empregados no Comércio e Serviços do Rio Grande do Sul (Fecosul) e as centrais sindicais Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Rio Grande do Sul (CTB-RS), Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e Força Sindical.

Imagem: Rodrigo Positivo

A atividade no Rio Grande do Sul foi articulada pela deputada federal Daiana Santos, primeira vice-presidenta da Comissão Especial, e reuniu representantes do poder público, especialistas, entidades sindicais, trabalhadores e movimentos sociais para debater os desafios e os impactos da escala 6×1 sobre a classe trabalhadora. Também participou da atividade o deputado federal Leo Prates, relator da proposta sobre o fim da escala 6×1.

Durante a atividade, representantes sindicais destacaram a importância da mobilização popular para pressionar pela aprovação da PEC que propõe o fim da escala 6×1, considerada pelas entidades trabalhistas um modelo que precariza as condições de trabalho e compromete a qualidade de vida da população.

O presidente da Fecosul, Guiomar Vidor, afirmou que a atual jornada de trabalho tem provocado adoecimento físico e mental entre os trabalhadores, especialmente no setor do comércio. “As associações brasileiras de supermercados estão se queixando que existem mais de 350 mil vagas em aberto porque não conseguem mais trabalhadores para exercer essa jornada exaustiva. No comércio, a maioria são mulheres, que sofrem com dupla e até tripla jornada. O mundo do trabalho está adoecido”, declarou.

Guiomar também destacou os impactos da sobrecarga de trabalho na saúde da população trabalhadora. Segundo ele, mais de 150 mil trabalhadores foram afastados por transtornos mentais no último ano e mais de 4,5 milhões precisaram se afastar por motivos de saúde. “A sociedade está enxergando essa realidade. Mais de 60% da população brasileira quer o fim da escala 6×1 e a redução da jornada sem redução dos salários”, enfatizou.

Imagem: Rodrigo Positivo

Já o presidente da CTB-RS, Rodrigo Callais, destacou que a luta pelo fim da escala 6×1 representa uma pauta de melhoria da qualidade de vida da população trabalhadora. “Estamos falando de mais tempo para viver, mais tempo para cuidar da saúde, para estar com os filhos, praticar esporte e ter lazer. Todo avanço tecnológico precisa beneficiar também a classe trabalhadora, e não apenas aumentar o lucro do capital”, afirmou.

Rodrigo Callais também defendeu a redução da jornada sem redução salarial e criticou qualquer proposta de adiamento da medida. “Essa não é uma pauta da direita ou da esquerda. É uma pauta civilizatória. Nós queremos a redução da jornada para 40 horas e o fim da escala 6×1 imediatamente. Não há o que se falar em transição ou compensação para patrões quando os direitos dos trabalhadores foram retirados sem debate na reforma trabalhista”, declarou.

Imagem: Rodrigo Positivo

Um dos momentos de maior destaque do encontro foi a apresentação de uma moção pelo pré-candidato ao Senado Paulo Pimenta para que o senador Paulo Paim seja o relator da PEC no Senado Federal. A proposta foi recebida com apoio pelos participantes do ato, que reconheceram a trajetória de Paim na defesa histórica dos direitos dos trabalhadores.

Imagem: Rodrigo Positivo

O debate realizado no Ministério da Fazenda reforçou a unidade entre movimentos sociais, parlamentares, federações, sindicatos e centrais sindicais na luta pela redução da jornada de trabalho, pela valorização salarial e por melhores condições de vida para a classe trabalhadora brasileira.

Matéria: Daiana Correia


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