A luta contra o trabalho análogo à escravidão é uma causa que deve ser abraçada por todos – Por Raul Cerveira

 A luta contra o trabalho análogo à escravidão é uma causa que deve ser abraçada por todos – Por Raul Cerveira
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A luta contra o trabalho análogo à escravidão é uma necessidade real que reflete as mudanças da reforma trabalhista ocorridas em 2017 e os seis anos de governo de Temer e Bolsonaro, que retiraram direitos trabalhistas e sociais. Esse contexto criou um ambiente propício para que grandes empresários , com condições financeiras favoráveis, escravizassem trabalhadores humildes confiantes na impunidade devido à falta de fiscalização. Durante o governo Bolsonaro, o Ministério do Trabalho foi praticamente extinto, deixando uma lacuna na fiscalização que favoreceu a prática do trabalho escravo.

No passado, os escravos eram presos por correntes para não escaparem, hoje as formas de aprisionamento são outras, como a imposição de dívidas, transportes precários, alojamentos impróprios, alimentação de péssima qualidade, além de outras formas de coerção, como máquinas de choque elétrico, spray de pimenta, chibatas e pedaços de madeira, que são alguns dos instrumentos encontrados durante os resgates. Mulheres e adolescentes também são vítimas desse tipo de trabalho, inclusive nos garimpos ilegais, onde são recrutadas com falsas promessas e acabam sendo obrigadas a se prostituir, chegando a fazer até 16 programas por noite.

A situação só começou a mudar com a liberação dos órgãos fiscalizadores pelo governo Lula. Apesar de terem seis anos de trabalho represado, os fiscais estão voltando às ruas e colocando o trabalho em dia. No entanto, o estrago já foi feito, e as consequências foram graves: famílias destruídas e vidas perdidas.

É importante destacar que não são os pequenos empresários que praticam essa forma de trabalho, mas sim aqueles que têm ganância por dinheiro e sonham em ter escravos de estimação. A luta contra o trabalho análogo à escravidão é uma causa que deve ser abraçada por todos aqueles que se preocupam com a dignidade humana e a justiça social.

É preciso, portanto, que as autoridades estejam vigilantes e atuem com rigor na fiscalização e punição dos responsáveis por esse tipo de crime. É também responsabilidade da sociedade civil se manter atenta e denunciar qualquer forma de exploração do trabalho humano. Só assim poderemos avançar em direção a uma sociedade mais justa e livre de trabalho escravo.

Raul Cerveira
Diretor Sindicato dos Empregados no Comércio de Taquari e CTB/RS


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