Encontro na UFRGS destaca memória de vítimas de acidentes de trabalho e alerta para crise de saúde mental

 Encontro na UFRGS destaca memória de vítimas de acidentes de trabalho e alerta para crise de saúde mental
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No auditório do Centro de Cultura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, um encontro realizado ontem reuniu trabalhadores, estudantes, pesquisadores e representantes de entidades sindicais para refletir sobre a memória das vítimas de acidentes de trabalho e os impactos crescentes na saúde mental.

A atividade foi apresentada por Débora Melecchi, diretora da pasta de Saúde e Segurança da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, que destacou a importância de manter viva a memória das vítimas como forma de luta contra a precarização das condições de trabalho. Segundo ela, “lembrar essas vidas é também lutar para que novas tragédias não aconteçam, especialmente diante do avanço do adoecimento mental entre trabalhadores”.

A mesa de abertura reuniu representantes de diferentes setores. Estiveram presentes Vivian Ayres, Vice-Superintendente de Manutenção da UFRGS; a pró-reitora de Extensão, Daniela Pavani; a coordenadora do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Niara Dy Luz; o superintendente regional do Trabalho no Rio Grande do Sul, Claudir Nespolo; a presidenta do Conselho Estadual de Saúde do RS, Inara Ruas; e o presidente da Central dos Trabalhadores do RS (CTB-RS), Rodrigo Callais.

Durante as falas iniciais, os participantes ressaltaram a necessidade de políticas públicas mais eficazes para prevenir acidentes e enfrentar o adoecimento psicológico, especialmente em categorias mais vulneráveis. Também houve destaque para o papel das universidades na produção de conhecimento e na articulação com a sociedade.

Rodrigo Callais enfatizou que o adoecimento mental dos trabalhadores está diretamente ligado às transformações recentes no mundo do trabalho, marcadas pela precarização, pela intensificação das jornadas e pela perda de direitos. Ele destacou que o aumento de casos de ansiedade, depressão e esgotamento não pode ser tratado como um problema individual, mas sim como uma consequência de modelos de gestão que pressionam por produtividade sem garantir condições dignas. Callais também defendeu o fortalecimento da organização sindical e a ampliação de políticas públicas de proteção à saúde do trabalhador, com foco na prevenção e na responsabilização de empregadores que negligenciam normas de segurança.

Na sequência, o evento apresentou dados de pesquisas e experiências práticas sobre o avanço do adoecimento mental relacionado ao trabalho. Participaram desse momento o vereador de Porto Alegre, Giovani Culau; Fernando Lemos, representando o SINDESC/Fecosul; Fabiane Pavani, diretora-geral do Simpa; além dos Advogados, Dr. João Lucas e Dra. Marí Agazzi.

Os dados apresentados apontam para um crescimento expressivo de afastamentos por transtornos mentais, associados a fatores como sobrecarga, assédio e insegurança no trabalho. Os debatedores enfatizaram que o problema exige abordagem integrada, envolvendo fiscalização, políticas de prevenção e ampliação do acesso a cuidados em saúde mental. O encontro encerrou com um chamado à mobilização coletiva. Para os organizadores, mais do que um ato de memória, a atividade buscou fortalecer redes de apoio e pressionar por mudanças estruturais que garantam condições de trabalho dignas e seguras.


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